Equipamentos de pesca como redes, linhas, anzóis, cordas, etc. quando perdidos, abandonados ou descartados no mar causam um enorme estrago aos oceanos. Além de representarem cerca de 10% do lixo marinho, esses instrumentos acabam sendo armadilhas e tornam-se verdadeiros “pescadores fantasmas” ocasionando a morte de diversos animais marinhos pela ingestão ou enroscamento. A cada ano, o volume dos materiais de pesca encontrados no mar chega a 640 mil toneladas, esses materiais ferem, mutilam e matam centenas de animais marinhos, principalmente tartarugas, focas, baleias, leões marinhos e pássaros. Por causa das correntes marítimas, mesmo os lugares mais remotos são afetados por essa poluição.

Um estudo feito pela ONU detectou que o problema piora a cada ano devido ao aumento das atividades pesqueiras e, para piorar ainda mais, a introdução de equipamentos de alta durabilidade, fabricados com materiais sintéticos, como por exemplo, redes e cordas, que sua vida útil pode chegar a 600 anos. São materiais extremamente fortes e resistentes e muitas vezes invisíveis dentro d’agua, impossibilitando o animal de escapar. Além de provocar a morte dos animais, a pesca fantasma prejudica o ecossistema marinho e ameaça também a vida de humanos, como mergulhadores.

 

40% das baleias e golfinhos em todo o mundo são afetadas pela pesca fantasma.

São 136 mil baleias e focas mortas anualmente pela chamada pesca fantasma.

 

O plástico também é um grande vilão nos oceanos. Muitos animais acabam ingerindo pensando que são alimentos. Em fevereiro desse ano, uma baleia-bicuda-de-cuvier foi encontrada na Noruega com 30 sacos de plásticos em seu estômago, e teve que ser eutanasiada. Para os pesquisadores que a encontraram, provavelmente a baleia confundiu os sacos de plásticos com lulas.

Segundo um estudo realizado em 2015 pela revista Science, os oceanos recebem 8 milhões de toneladas de lixo plástico por ano. O levantamento analisou dados de resíduos sólidos recolhidos em 192 países em 2010. Os resultados indicam que, das 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos gerados em 2010, entre 4,8 e 12,7 milhões chegaram aos oceanos no mesmo ano. A China é o país que mais descarta lixo plástico, são quase nove milhões de toneladas por ano. A Indonésia aparece em segundo lugar, o Brasil é o 16º e os Estados Unidos aparecem na 20ª posição.

Segundo os pesquisadores, caso providências não sejam tomadas, como a diminuição da produção de lixo, a melhora da gestão de resíduos e a ampliação dos sistemas de reciclagem de plástico, esta quantidade poderá ter um impacto acumulativo de até 155 milhões de toneladas em 2025.

Só para se ter uma ideia, no oceano pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico, com cerca de mil quilômetros de extensão, que é considerada a maior concentração de lixo do mundo.

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Camada flutuante de lixo plástico no Oceano Pacífico. Vai da Califórnia, passa pelo Havaí e chega perto do Japão. São 1.000 Km de extensão de plástico!

O plástico é um dos materiais que leva mais tempo para se decompor, são 450 anos!

O que está sendo feito para mudar essa realidade?

Em 2015 a Proteção Anima Mundial criou a Iniciativa Global Contra a Pesca Fantasma (Global Ghost Gear Initiative) com o objetivo de promover a colaboração entre países e organizações para impedir o descarte de lixo no oceano e proteger os animas marinhos. Conheça mais sobre o projeto no link

https://www.worldanimalprotection.org.br/nosso-trabalho/animais-silvestres/campanha-pesca-fantasma-combate-aos-equipamentos-de-pesca

 

Além disso, existe um Mapa de Pesca Fantasma que indica os locais onde existem materiais abandonados, redes, plásticos, etc. A ideia é que se você viu um material abandonado, entre no mapa e marque o local e dê algumas informações. Dessa forma, você poderá ajudar a organização a monitorar as áreas mais afetadas e ajudar os animais.

No Brasil, existe o projeto “Petrechos de Pesca Perdidos no Mar” que tem a mesma ideia da Iniciativa Global Contra a Pesca Fantasma, ou seja, mapear e detectar materiais e remove-los do mar, evitando assim a pesca fantasma.

Além disso, independente de alguns projetos nessa área, muitos mergulhadores ajudam os animais a se livrarem dessas armadilhas. Abaixo um vídeo mostrando essa bela iniciativa:

 

http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/mergulhadores-salvam-badejo-preso-em-cabo-de-pesca-em-fernando-de-noronha-14022017

 

O importante é cada um fazer a sua parte. Ter a consciência de preservar o nosso ecossistema marinho é essencial. Dessa maneira, não abandone ou descarte lixo no mar e, se vir algum animal em perigo, sempre que possível o ajude. A pesca deve ser responsável. Contribua em divulgar informações que colaborem com os projetos que lutam contra a pesca fantasma e salve nossos animais!

 

#KEEP THE OCEAN CLEAN   #SAVE THE OCEAN

 

Bons ventos,

Equipe ESCAMA

 

 

 

 

COMENTÁRIOS

  1. Pingback: ILHA HENDERSON: Uma ilha inabitada do Pacífico, mas cheia de lixo. - Escama